Travestis salvam vítimas de agressão homofóbica em pleno Lgo. do Arouche

Dois amigos foram vítimas de roubo e violentamente espancados por grupo de rapazes homofóbicos não identificados. Fato ocorreu próximo do Largo do Arouche, área LGBT da região central de São Paulo.

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Segundo o depoimento de um dos rapazes no seu perfil no Facebook, foram três rapazes altos e fortes, um dos três agressores roubou a mochila de uma das vítimas e quando este começou a pedir socorro, outros dois agressores surgiram e começaram agredir as duas vítimas. Populares próximos não tomaram nenhuma atitude e nem mesmo policiais que passaram numa viatura prestaram socorro para as vítimas, eles “desceram do carro, olharam a violência, entraram novamente na viatura e nos deixaram lá ainda apanhando”, descreveu a vítima. Somente um grupo de travestis que passavam por ali acudiram as vítimas, afugentando os agressores. Foram elas também que chamaram um táxi para levar as vítimas dali.

Leia o depoimento do ocorrido:

Post no Facebook de uma das vítimas da agressão homofóbica (Foto: Captura de tela)

Post no Facebook de uma das vítimas da agressão homofóbica (Foto: Captura de tela)

“Ontem marquei de ir encontrar um amigo depois do trabalho para devolver algumas peças de roupa dele que estavam comigo, marcamos às 20h00 na República (caminho onde era de fácil acesso para os dois), nos encontramos, entreguei seus pertences e resolvemos tomar uma cerveja ali no “Prainha”, barzinho que se localiza no Largo do Arouche, onde grande parte do público é LGBT. Tomamos nossa cerveja e por volta das 23h00 resolvemos ir embora. No caminho, um rapaz forte, alto, pegou minha mochila e correu, eu não sei como ele fez aquilo tão rápido, meu amigo se desesperou e começou a pedir “socorro”, à partir disso, não sei de onde surgiram mais dois rapazes tão altos quanto o primeiro e os três começaram a espancar meu amigo. No primeiro murro meu amigo caiu desmaiado e começou a cuspir muito sangue. Diante dessa situação eu fiquei completamente desesperado, e entrei no meio para proteger meu amigo. Eu não revidei as agressões, apenas abracei o meu amigo para protegê-lo, e num ato de raiva o alvo passou à ser eu. Eu levei muitos chutes e socos e xingamentos homofóbicos, estávamos os dois no chão, meu amigo sangrando e desmaiado, e eu sendo violentado pelos três homens. As pessoas passavam por nós e nenhuma atitude de socorro era tomada. Até que apareceu uma viatura de polícia, e ali pensei que tudo teria terminado graças ao universo, mas para minha surpresa, os policiais desceram do carro, olharam a violência, entraram novamente na viatura e nos deixaram lá ainda apanhando. Pra mim aquele era o fim de minha vida. Eu não tinha o que fazer, eram três rapazes enormes e nós já estávamos desfalecendo, eles tiraram meus sapatos, rasgaram minha camiseta e minhas calças, eu fiquei completamente despido, humilhado! Roubaram tudo do meu amigo também, dinheiro, cartões, documentos, celular… Eu não me importava em partir desta para outra vida, mas, eu não me perdoaria jamais se acontecesse algo com o meu amigo, eu só sabia protegê-lo em meus braços, por mais que já não estivesse mais conseguindo segurar as pancadas, e a pior sensação, era pensar que ele já estava morto. Eu gritava tão alto, que todo aquele lugar pôde me ouvir. Avistei de longe (e ainda apanhando) uma travesti que começou a gritar, e quando me dei conta, eram muitas ao redor de nós, e elas num grande ato de amor (porque não sei descrever com outras palavras) colocaram a vida delas em risco para salvar a minha e a de meu amigo. Elas expulsaram os caras de lá e deram sinal para um táxi. Não recordo direito, mas lembro delas falando entre elas: “Um já morreu, vamos tentar salvar o outro”, e então elas nos colocaram no táxi e pediram para o taxista nos deixar em casa. Eu só consegui falar para o taxista que eu morava na zona sul, e conforme o tempo foi passando eu fui recordando a memória, e consegui passar o endereço de um amigo (uma vez que já era cerca de 01h00 da madrugada e eu não poderia chegar naquele estado na minha casa pela reação desesperada que minha mãe teria). Conforme seguíamos viagem, eu ia conversando com o meu amigo ainda desfalecido no meu colo, e ele não falava nada com nada, mas pelo menos falava, e isso me aliviou. Chegando na casa do meu outro amigo eu o gritei do portão, ele veio desesperado, e pagou nosso táxi e entramos pra casa.

Meus amigos, essa postagem não tem intuito algum de estrelismo, ou forma de chamar a atenção. Essa postagem tem tão somente o intuito de alertar a todas, TODAS as pessoas que passam pela região quando voltam de seus trabalhos, ou moram lá, ou então vão para diversão: CUIDADO! A região da República está completamente perigosa, uma vez que só esse ano já tive casos de vários amigos com assalto na região. Agora eu estou bem, tenho alguns hematomas, mas o hematoma maior é interno, o trauma que fica em ser espancado por ser homossexual, e humilhado à ponto de beijar a sarjeta. Não sei qual é sua fé, mas apegue-se a ela. Estamos vivendo em tempos difíceis, onde você não pode ser quem você é. se puderem, repassem a publicação para que possamos alastrar cuidado à todos! Que seu Deus o proteja.”

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By | 2017-10-30T06:34:45+00:00 novembro 5th, 2016|Categories: São Paulo|Tags: , , , , , |0 Comments

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