Grupo homofóbico furta, defeca, urina e vandaliza o Centro de Cidadania LGBT

Um grupo de vândalos realizou um ataque ao Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, durante o último final de semana. Os responsáveis do ataque, que ainda não foram identificados, vandalizaram o local, defecaram e urinaram no corredor da unidade, além de roubar objetos, equipamentos do escritório, fotográfico e de informática. Até prontuários de pessoas atendidas pelo Centro foram levados, o que torna o ataque muito mais suspeito. O crime foi informado pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) da Prefeitura de São Paulo nesta segunda-feira, dia 4.

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CCLBT Luiz Carlos Ruas foi vandalizado (Foto: Divulgação CCLGBT/ SMDHC)

Foto: Divulgação CCLGBT/ SMDHC

“No entanto, nenhum objeto levado causou mais dor, tristeza e consternação do que a agressão ao nosso trabalho e tudo que ele representa. Mais do que equipamentos públicos da administração municipal, os Centros de Cidadania LGBT representam um valor e uma postura diante do mundo, a fim de combater todas as violências diariamente enfrentadas pela população LGBT – desde a física até aquela silenciosa na qual todos os direitos são negados, até mesmo de ser chamado pelo nome social. A situação provocada pelos agressores deixa evidente a presença do ódio contra os LGBT e os trabalhadores que ali prestam serviço a essa população”, dizia a nota publicada pela secretaria.

A polícia foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado e também será aberto um inquérito para investigar os responsáveis pelo ataque.

A sede do Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, no bairro da Consolação, centro de SP (Foto: Divulgação CCLGBT/SMDHC)

A sede do Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, no bairro da Consolação, centro de SP (Foto: Divulgação CCLGBT/SMDHC)

O Centro de Cidadania, antes conhecido como CCLBT do Arouche, mudou-se de endereço em setembro, do prédio ao lado do Metrô República para o atual casarão, que fica no bairro da Consolação, centro de São Paulo. Na oportunidade também foi feita a mudança do nome, que foi em homenagem ao vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas que foi assassinado ao tentar proteger uma travesti na estação do Metrô Pedro II, no final de 2016.

No imóvel, que recentemente foi pintado com as cores da bandeira do orgulho LGBT, também foi instalada a sede do Programa Transcidadania, voltado para transexuais.

Um ato em solidariedade ao Centro de Cidadania acontecerá no local, nesta sexta-feira, dia 8, às 15h.

CCLGBT Luiz Carlos Ruas, Pedido de Doação (Facebook)

Pedido de Doação para que o Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Dias possa retomar suas atividades (Facebook)

Também está sendo pedido doações de equipamentos e acessórios de informática, além de outros produtos para escritório para que o Centro de Cidadania possa retomar suas atividades em sua totalidade.

Os Centros de Cidadania LGBT é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, por meio da Coordenação de Políticas para LGBT, que tem a missão da defesa dos Direitos Humanos, com o atendimento às vítimas de violência, preconceito e discriminação homofóbica, com a prestação de apoio jurídico, psicológico e de serviço social, com acompanhamento para realização de boletins de ocorrência e demais orientações, como também de fazer a promoção da Cidadania LGBT, dando suporte e apoio aos serviços públicos municipais por meio de mediação de conflitos, palestras e sensibilização de servidores,

A cidade de São Paulo conta com o CCLGBT Luiz Carlos Ruis no centro, o CCLGBT Laura Vermont em São Miguel Paulista, Zona Leste, o CCLGBT Luana Barbosa dos Reis na Parada Inglesa, Zona Norte, e o CCLGBT Sul, na Santo Amaro, Zonal Sul.

 

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Confira abaixo, na íntegra, a nota emitida pela Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania:

Nota Pública – Ataque ao Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas

O Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas (antigo CCLGBT Arouche) viu, nesta manhã de segunda-feira (04), o dia mais triste desde a sua inauguração em 2015.

A casa localizada na região da Consolação onde atualmente funciona o Centro de Cidadania – e que tinha sido pintada com as cores da bandeira LGBT recentemente – foi covardemente invadida e atacada durante o final de semana.

O imóvel foi vandalizado e roubado por pessoas cuja identidade, até o momento, é desconhecida.

No entanto, nenhum objeto levado causou mais dor, tristeza e consternação do que a agressão ao nosso trabalho e tudo que ele representa. Mais do que equipamentos públicos da administração municipal, os Centros de Cidadania LGBT representam um valor e uma postura diante do mundo, a fim de combater todas as violências diariamente enfrentadas pela população LGBT – desde a física até aquela silenciosa na qual todos os direitos são negados, até mesmo de ser chamado pelo nome social.

A situação provocada pelos agressores deixa evidente a presença do ódio contra os LGBT e os trabalhadores que ali prestam serviço a essa população.

Quando os responsáveis pela invasão defecam em nosso espaço de trabalho e colocam as fezes no corredor, quando esses mesmos agressores – de posse dos prontuários de pessoas por nós atendidas – rasgam documentos e os utilizam para limpeza, demonstram o desprezo por tudo que estes papéis representam e atestam na defesa dos direitos humanos e na promoção da cidadania. Urinaram em vasos de flores e os deixaram na recepção. Destruíram e sujaram itens pelos quais não tinham interesse, apenas para destruir – cadeiras, gaveteiros, computadores, projetor. Todas as torneiras foram abertas, com o claro objetivo de alagarem a casa. Além disso, todos os cabos dos computadores e da rede de telefonia foram cortados, com a intenção de calar a voz e o trabalho em prol da comunidade LGBT.

Este ataque prova, infelizmente, o quanto ainda necessitamos lutar pelos direitos da população LGBT. Não cruzaremos nossos braços e o trabalho vai continuar, sempre com a participação de toda a equipe do centro – comprometida e engajada na continuidade do serviço. A destruição deste lugar de acolhimento para muitas pessoas não vai nos fazer parar, pelo contrário: nos exorta a continuar trabalhando.

As devidas providências já foram tomadas: a polícia foi acionada, registrado um boletim de ocorrência e será aberto um inquérito para investigar os responsáveis pelo ataque – e para que a Justiça seja feita. Ao longo de toda esta segunda-feira os vizinhos ofereceram sua solidariedade, igualmente horrorizados com o grau de violência e irracionalidade do ato.

Esperamos contar com toda a comunidade LGBT ao nosso lado neste momento, mais do que nunca, para nos ajudar a enfrentar mais essa batalha. Somente com a união de todos poderemos, mais uma vez, vencer.

Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas
Coordenação de Políticas para LGBT
Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania

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