Adolescente travesti de 13 anos não quer estudar mais por sofrer preconceito

Tamires, nome fictício, uma adolescente de 13 anos, travesti assumida, que vive na cidade de Serra (ES), conta que não quer ir mais para escola, ela teme o preconceito dos demais alunos.

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Tamires é hostilizada na escola mesmo usando roupas de menino (Foto: Marcos Fernandez/NA)

“Sempre fui à escola vestido de homem e, mesmo assim, era constantemente xingado. Mas isso não acontece só no colégio. A rejeição e o preconceito também fizeram com que eu deixasse de frequentar até alguns bairros onde tenho amigo”, revela a adolescente que deixou de ir as aulas há certa de uma semana ela parou de ir às aulas. Ela cursava a 5ª série do ensino fundamental.

O pai, um caseiro de 59 anos, declarou para o jornal A Gazeta que “percebo que ele mesmo se marginaliza”. O caseiro aceitou a orientação sexual de Tamires, mas ainda tem dificuldades para aceitar a sua identidade de gênero.

“Deus nos deu o livre arbítrio, por isso aceito como ele é. Mas exijo o mínimo de respeito na minha casa. Já lhe dei muito conselho, fiz o que pude. Sei que ele gosta de maquiagem, unhas pintadas e perucas.”, afirmou o pai.

Procurado pela família, o Conselho Tutelar de Laranjeiras encaminhou ao Serviço de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, conhecido como Programa Sentinela. Segundo o pai, “nós dois recebemos, uma vez por mês, orientação psicológica, o que vem nos ajudado bastante. Ele já abandonou o tratamento, mas agora está decidido a voltar”.

Além de encaminhar para o Programa Sentinela, o Conselho Tutelar também pediu apoio ao Fórum GLBT de Serra para tentar diminuir o preconceito na escola em que Tamires estudava.

“Fomos até a escola onde ele [sic] estudava para orientar a direção e os alunos sobre homofobia. Fomos bem recebidos, percebemos que essas diferenças estão diminuindo a cada dia”, destacou o coordenador do Fórum.

A homofobia é responsável de um grande número de casos de evasão escolar de alunos homossexuais. De acordo com Keila Simpson, presidente da Articulação Nacional dos Travestis, Transexuais e Transgêneros (Antra), pessoas travestis e transexuais “deixam o estudo não porque não querem, mas porque as escolas se fecham”. A evasão escolar entre elas são de 73%, segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). “Não dá mais para assistirmos a milhares de alunos deixando as escolas porque se sentem constrangidos em serem chamados por nomes que nada têm a ver com sua orientação sexual”, afirma o presidente da ABGLT, Toni Reis.

Políticas sérias de enfrentamento da homofobia nas escolas são urgentemente necessárias, mas infelizmente, com a suspensão do kit Escola Sem Homofobia, difamado na mídia mainstream como ‘kit gay’, do Ministério da Educação (MEC) conjunto com a ONG ECOS – Comunicação em Sexualidade, a presidenta do Brasil Dilma Roussef declarou que não vai permitir que o governo faça “propaganda de opções sexuais [sic]”, apesar de reafirmar o compromisso com o combate a homofobia.

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By | 2017-12-25T12:22:59+00:00 Maio 28th, 2011|Categories: Serra|Tags: , , , , , , |

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