Quando, numa democracia e ainda mais no Brasil, você imaginaria de um lado, manifestantes da ultradireita fascista com seguidores do neonazismo como Carecas do Subúrbio e Ultra Direita usando como pretexto apoiar o deputado homofóbico e racista do Jair Bolsonaro (PP/RJ) e de outro lado manifestantes contra o Bolsonaro composto por estudantes, militantes da esquerda, alguns LGBTs, além dos skinheads do Rash e dos Anarcopunks?
A Polícia Militar no meio deles fazendo o isolamento. Na verdade isolando da ala esquerdista e permitindo a manifestação dos fascistas. Segundo um policial, a PM está ali para manter o “direito de liberdade de expressão” de nazistas, como assim?
Foi esse o clima de tensão, de enfrentamento e de medo que aconteceu no vão livre do Masp. na manhã do sábado passado, dia 9/04. Segundo a mídia, chegou-se a 11 os detidos, oito deles para averiguação de possível ações criminosas neonazistas ocorridas em São Paulo, como agressões na região da paulista e da bomba na Parada Gay e três punks que estariam sem documentos. Mas, ao fim da tarde, a Secretaria da Segurança Pública solta uma nota que dizia que apenas seis foram detidos e já estão soltos.
O jornalista e blogueiro Raphael Tsavkko esteve presente twittando do local. Ele concedeu um depoimento sobre o que ele viu ali:
“O que eu presenciei foi uma cena lamentável, uma reunião de grupos absolutamente detestáveis. Neonazistas, Fascistas, membros de gangues perigosas como os Carecas do Subúrbio e até mesmo Integralistas, que muitos acreditavam – e torciam – pra terem sumido da face da terra.
Em comum o ódio a gays, socialistas, comunistas, feministas… a basicamente tudo que desvie de suas visões deturpadas e doentes de mundo. Diziam defender a família, pediam Bolsonaro pra presidente e se mostravam entusiastas e saudosos de regimes militares ditatoriais. Algumas das figuras presentes nos davam medo só de olhar. Figuras perigosas, com ódio explícito nos olhos. Fui ameaçado por 3 fascistas de morte, junto com mais outro jornalistas que cometeu o crime de usar uma camisa vermelha – cor odiada pelos criminosos de preto.
O interessante foi a reunião, sob uma mesma bandeira, de fascistas negros e nordestinos com neonazistas. Fosse outra ocasião, os grupos estariam se matando. Muito mais que um ato de apoio a um criminoso que não sente qualquer vergonha em propagar as mesmas bandeiras destes grupos, o protesto serviu para dar publicidade a estes grupos e suas idéias. E encontraram eco na mídia, ainda que despertassem o nojo mais profundo na maioria dos transeuntes que, desavisados, pegavam os panfletos que distribuíam. Jornais como a Folha de São Paulo apresentaram matérias claramente tendenciosas, colocando os criminosos como vítimas dos terríveis comunistas, mentindo sobre a presença de negros entre os fascistas e diminuindo a significância do ato.
O protesto significou o auge da demonstração de força de uma extrema-direita que deveria ser periférica, mas que ressurgiu com força depois das eleições, em que discursos de ódio imperaram.
Bolsonaro foi apenas a desculpa para uma reorganização das forças da extrema-direita, mas ao invés de apenas temer, devemos reagir, como reagimos, com maior presença e imenso desafio, buscando neutralizar o ato dos criminosos.”
- Fascista tatuado com símbolos nazistas, como o “SS”, que faz referência à polícia do nazismo, e “88″, indicações das iniciais de “Heil Hitler” (Foto: Luís H. Blanco/News Free/AE)
- Foto: Raphael Tsavkko
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Veja outras informações no blog do Tsavkko











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