Fazendeiro e dois filhos são suspeitos de assassinar jovem por motivação homofóbica

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Foi encontrado o corpo da adolescente Adriele Camacho de Almeida, numa fazenda em Itarumã (GO), na tarde da terça-feira, 05/04. Ela estava desaparecida desde dia 13 de março, quando foi vista pela última vez junto com o ex-namorado, de 17 anos. Ele, juntamente com seu irmão de 13 anos e seu pai, o fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, de 36 anos, estão detidos e são suspeitos do assassinato.

Reprodução O Correio

Segundo o delegado de polícia responsável pelo inquério policial, Samer Agi, a adolescente foi morta com um golpe de faca no pescoço e no peito. Pelo delegado, “a vítima teve um breve relacionamento com um adolescente de 17, que foi internado em uma cela específica para adolescente infrator. Acontece que a vítima se apaixonou pela irmã do suspeito, de 16 anos, com quem passou a namorar. O relacionamento homossexual durou cerca de um ano, contrariando a família do rapaz. Trata-se de um crime homofóbico.”

De acordo com o padrasto de Adriele, Elias Rodrigues Silva, as duas meninas estavam separadas desde que a família do fazendeiro mudou-se de Cassilândia (MS) para Itarumã. Segundo o padastro, Adriele foi vítima de uma ciladra, já que foi o próprio “adolescente de 17 anos telefonou várias vezes para a Adriele ir até Itarumã com a promessa que ajudaria a duas a fugirem. Mas eles [o pai e os irmãos suspeitos] já tinham tudo preparado. Acho que até a cova onde a Adriele foi enterrada já estava cavada”.

O corpo de Adriele foi encontrado enterrado de cabeça para baixo em um brejo. “Em depoimento, o ex-namorado da vítima disse que teve a ajuda do irmão de 13 anos para arrastar, cavar um buraco e jogar o corpo da adolescente no local. A motocicleta teria sido jogada no rio pelo irmão mais novo, sempre de acordo com o depoimento do rapaz”. disse Agi.

A família do fazendeiro não aceitava o relacionamento das duas garotas. Segundo o padrasto de Adriele, “o pai da menina tinha feito ameaças bem claras. Se a Adriele procurasse pela menina em Itarumã ele acabaria com a vida dela. A Adriele não procurou. Só decidiu ir de moto até lá, depois que o irmão da namorada telefonou várias vezes prometendo ajudar na fuga.” Elias afirma que houve a participação do fazendeiro, “como dois adolescentes cavariam a cova tão funda para enterrar a Adriele? Houve a participação do pai deles sim e a polícia está investigando”.

Adriele estava desaparecida desde o dia 13 de março. Ela saiu de Cassilândia, de moto, para encontrar-se a namorada em Itarumã. Chegando à cidade, telefonou para o rapaz de 17 anos, que havia prometido ajudá-las a fugir. Na mesma moto, Adriele e o rapaz seguiram para a sede da fazenda Lajeado, 17 quilômetros distante de Itarumã. Foi a última vez que Adrielle foi vista com vida.

Segundo o depoimento do rapaz à polícia, ele entrou por uma estrada de terra e parou num área de mata. Sem nenhuma discussão ou conversa, o rapaz contou que tirou uma faca que estava escondida e desferiu golpes no pescoço de Adriele.

“Nós ainda estamos apurando se o pai participou do assassinato, já que os golpes de faca na vítima foram dados com muita força. Além disso, em seu depoimento, a garota de 15 anos disse que o pai havia saído com o irmão na noite do dia 14 de março – um dia depois do sumiço de Adriele -, sem dar explicações, e que aquilo não era comum. Por isso, estamos investigando se o fazendeiro participou da morte”, diz o delegado.

Um mandato de busca e apreensão foi cumprido para tentar localizar o corpo da vítima em 19 de março, sem sucesso. Uma nova operação foi montada na terça-feira, dia 5, na qual foi encontrado o corpo da vítima. Uma equipe do Corpo de Bombeiros da região está fazendo buscas no rio para tentar encontrar a motocicleta.

O delegado Agi afirmou que o fazendeiro está preso na Delegacia de Itarumã e os filhos internados em uma cela específica para adolescente infrator em Aparecida do Rio Doce (GO). O inquérito é de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo fato de a vítima não ter tido possibilidade de defesa.

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