Manifestação cerca delegacia em São Paulo

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Manifestação na frente do 4º DP (foto: Luís Arruda)

Aconteceu nesta segunda-feira, 28/03, defronte do 4º Distrito Policial de SP, um ato público contra a agressão homofóbica sofrido pelo ativista LGBT Guilherme Rodrigues na semana anterior. O ato também fez exigências de medidas concretas ao tratamento dado às vítimas de violências na região da Paulista por policias militares e policiais civis daquela delegacia, local onde Guilherme registrou o boletim de ocorrência.

Luís Arruda, participante do grupo Ato Anti-Homofobia no Facebook, esteve presente na manifestação e cedeu um testemunho do que ele presenciou lá:

“Quando chegamos lá eu e Sasha, vindos do lançamento da Campanha “Só há democracia sem homofobia” lançada pelo XI de agosto da São Francisco, não havia muita gente, mas os policiais já se revesavam na bancada da delegacia para olhar a movimentação dos manifestantes.

O ato até que teve bastante gente por ser no meio da tarde, acho que umas 50 pessoas.

Houve falas de vários representantes de grupos, partidos e mandatos, eu mesmo dei um recado sobre a próxima reunião da Frente [Paulista Contra a Homofobia - FPCH] no dia 02/04 na ALESP (Sala dos Estudantes da Faculdade de Direito da USP – Largo de São Francisco (http://bit.ly/hsHPoK), Centro – 9h às 13h) convidando os presentes a participar.

Quando o Guilherme entrou para entregar o laudo do IML pediu que alguns representantes do movimento LGBT o acompanhassem, mas a polícia barrou e disse que só poderiam entrar no máximo 5 pessoas. Eu mesmo só entrei por que tenho OAB.

Fiquei sabendo também que não foi feito um B.O. e sim um T.C.O (termo circustanciado de ocorrência) no caso do Guilherme, o que faz com que o crime ocorrido seja julgado pela lei 9099, o que significa que os agressores no máximo vão pagar umas cestas básicas… uma vergonha!

Isso seria bem diferente se o PLC 122 estivesse aprovado!”

O caso

Na noite da quarta-feira, 23/03, Guilherme Rodrigues, ativista LGBT e militante do PSTU, sofreu um ataque de um grupo de jovens num posto de gasolina que fica na esquina da Rua Peixoto Gomilde com a Rua Augusta. Segundo relato do Guilherme, ele parou no posto quando viu quatro garotos tentando agredir um casal gay.
O casal conseguiu fugiu, mas o grupo partiram para cima de Guilherme com empurrões, socos e chutes. Funcionários e taxistas que estavam no posto tentaram intervir, mas os rapazes continuavam ameaçando e tentando agredir Guilherme, até que uma viatura que passava pelo local parou.

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Link do vídeo [/note]

A cena foi gravada por câmeras de segurança do posto e exibidas em rede nacional no dia seguinte. Infelizmente a câmera não registrou o momento do soco que Guilherme recebeu no rosto, somente os empurrões e ameaças do grupo.

Guilherme declarou que sentiu descaso dos policiais, tanto da viatura que apartou a briga, como do distrito policial. A PM da viatura tentou dissuadi-lo abrir o Boletim de Ocorrência. “Ele dizia ‘tem certeza que quer ir pra delegacia? Quando sair de lá é cada um por si’”, comentou Guilherme.

Já no DP, a PM forneceu a versão dos agressores, de que Guilherme tinha dado em cima deles de forma vulgar, mas que foi desmentida por um dos funcionários do posto, confirmando que Guilherme foi agredido por ser gay.

Mesmo dentro da delegacia, Guilherme continua a receber ameaças pelo grupo. “Eles diziam que iam me pegar, que sabiam quem eu era, não pararam de me ameaçar nem na delegacia, na frente da polícia”, disse Guilherme.

Segundo Guilherme, depois que ele compareceu no DECRADI, o grupo não seria necessariamente de skinheads, como ele próprio afirmara antes, mas de vândalos homofóbicos neofascistas.

E esses grupos reacionários, homofóbicos e racistas estão agindo livremente na região da Avenida Paulista. A falta de uma lei como o PLC 122/06 fará com que esses agressores serem julgados culpados apenas com lesão corporal leve e injúria e  paguem suas penas com cestas básicas, como o Luís Arruda constatou in loco. E ele resume bem quando diz que “Fica a lição: temos que aprovar o PLC e depois disso temos todos que fazer como o Guilherme e exigir que a lei seja cumprida, porque a polícia, pelo jeito, não vai ajudar muito.”.

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