Décio Só, tem 29 anos, é biólogo e professor. Como escritor publicou citações e máximas em uma coletânea intitulada Livro da Tribo entre 2003/2004. Atualmente é acadêmico da Universidade Federal de Ouro Preto em Administração Pública, estudando a relação política pública/exercício da cidadania. Autor do artigo científico “O Papel do legislativo municipal nas ações de prevenção às DST e atenção ao soropositivo”, publicado nos Anais do 7º Congresso Brasileiro de DST/Aids. Apaixonado por motocicletas e dança de salão. Escreve sobre educação, política e sociedade.
Há muito tempo temos acompanhado a longa novela sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo, projeto de lei que se arrasta a passos de tartaruga no congresso desde 1995, já completou dez anos de idade na sua tramitação e ano que vem deve fazer baile de debutante ainda no congresso…
Há muito tempo também estamos vendo diversos políticos falarem empolgados em seus discursos serem a favor da união civil, o próprio presidente também já manifestou sua adesão e, ainda assim, o projeto ta lá, quietinho esperando ser aprovado pra mudar a vida de milhões, isso mesmo, milhões de brasileiros.
A união civil reconhecida acabaria com a fila de processos existentes em que homossexuais reclamam por direito de herança ou pensão de seus pares, bem como pedidos pra inclusão em planos de saúde, toda a ‘ladainha’ que já estamos ficando carecas de tanto ouvir. A questão que fica no ar é a seguinte: Já que é um projeto com tanta adesão, de juízes, deputados, senadores e presidentes (já que passaram mais de um), porque ele ainda está trancado no congresso? Talvez porque levantar a bandeira pelo casamento gay gere milhões de votos, já que todo gay tem seu direito de voto garantido e um título de eleitor no bolso. E se o projeto for aprovado, o que mais os políticos podem prometer pros gays?
Os políticos, em teoria, estão lá pra representar o coletivo, e nós não somos coletivo? Não, somos minoria, como a maioria deles sempre citam: é preciso lutar pelas minorias…
Enquanto o congresso nacional não faz seu papel e não aprova esse projeto; políticos, juízes, advogados posam de mocinhos defensores do direito das minorias. E nós que estamos na nossa luta diária, cumprindo nossos deveres de cidadão – que são muitos – o que podemos fazer? Podemos votar, pagar impostos e até nos apaixonar por alguém do mesmo sexo, mas ainda não temos o direito à dignidade de se construir uma relação social e afetiva que dure além do até que a morte nos separe…

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