Mas que diabos de palavra é essa? Esclareçamos, de início: define o homossexual quando começa a ver sua “classe” pela visão de um heterossexual.
Bem, acho que não precisamos citar a sociedade hipócrita na qual vivemos, nem a influência negativa da mídia em relação aos LGBTs, e muito menos as religiões que alegam que “Deus ama os homossexuais, mas condena os seus atos”. Partindo disso tudo, um homossexual pode começar a pensar da mesma forma que a tal igreja, a tal mídia e a tal sociedade citada. E isso pode ocorrer por inúmeros motivos. Um deles é que muitos já estão cansados de tanto preconceito, e acabam cedendo à pressão da família e amigos incompreensíveis. Alguns até casam-se com pessoas do sexo oposto para “fazer bonito”. Destes que se casam, existem os que agüentam até o final da vida, o martírio de não ser feliz no matrimônio, e os que já preferem o relacionamento extra-conjugal, de preferência com alguém do mesmo sexo, que é o que sempre gostou.
Mas existem também, por incrível que pareça, os gays assumidos, bem resolvidos com sua situação, e que ainda assim são parceiros da heteronormatividade. São cabeças moldadas pela sociedade homofóbica, que mesmo gostando de pessoas do mesmo sexo, acham o cúmulo a homoafetividade em público, por exemplo. Alguns alegam que podem haver idosos, outros que podem haver crianças, e que ambos não estão acostumados a ver duas pessoas do mesmo sexo trocando carícias.
Existem também os homossexuais que ainda não se assumiram. Somente assumiram-se para si. Neste caso é até compreensível que se deixem levar pela heteronormatividade. Têm medo da reação da família e amigos, medo do mundo lá fora, medo do que vai encontrar, de como vai participar, do que fazer, de como agir. A classe dos medrosos simplesmente oculta sua opção, não dando palpite em nenhum assunto relacionado à classe LGBT. A outra classe, dos caras-de-pau, adora falar mal dos homossexuais, faz piadinhas, ridiculariza-nos completamente. E a noite, grudam na tela de seus computadores em busca de um sexo casual com pessoas do mesmo sexo. É triste. Muitos deles encaixam-se no exemplo do começo do texto, quando citei os casos extra-conjugais.
Que nem os heterossexuais podem se esfregar indecentemente em público, todo mundo já sabe. É cadeia, por atentado ao pudor. Nós gays também sabemos disso. Também somos seres humanos, cabeças pensantes, lemos jornal e sabemos de leis. Não viemos de outro planeta. Porém, não podemos nem andar de mãos dadas, ou trocar um beijinho carinhoso (sem a bendita língua)? Pois existem gays que dizem que não. “Não, não devemos”.
Eu sou obrigado a reforçar meu apelo do último texto postado. Meus queridos, se não sairmos às ruas normalmente com nossos(as) parceiros(as), e não trocarmos carícias em lugares públicos como shoppings e restaurantes, as pessoas desta infeliz sociedade jamais se acostumarão conosco. O ato deve ser corriqueiro, para que não haja mais surpresas, caras de espanto, ou até de nojo. Se gostar de pessoas do mesmo sexo é normal, devemos continuar agindo com normalidade. E aos gays adeptos à heteronormatividade: eu sinto muito, muito por vocês.


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