Auto-Exclusão

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Impressionante como os homossexuais adoram se queixar de que são excluídos, que gostariam de disputar a mesma posição com um heterossexual, que querem os mesmos direitos civis, que querem participar da sociedade… Mas sempre acabam se fechando em seus “clãs”.

Tudo começou quando as boates GLS foram inauguradas, tranqüilizando assim os homossexuais, que morriam de pavor em “soltar a franga” nas baladas, digamos, comuns. Principalmente aqueles que ainda não saíram do armário. Foi uma coisa boa? Até foi. Qualquer um sente-se confortável e acolhido numa boate gay. Até os heterossexuais, acreditem se quiser.

Depois começou toda aquela historinha de encontros LGBTs sempre no mesmo lugar, no mesmo dia da semana e na mesma hora. Uma pontualidade incrível. Tão incrível que os homofóbicos logo acabaram com a festa. Houve gente muito ferida e até morta. Foi o que aconteceu tantas vezes no Bar du Bocage, no bairro dos Jardins em São Paulo, e regiões próximas, nos anos de 2007 e 2008.

Aí criaram-se os restaurantes, os bares, as praças. Tudo criado com muito cuidado e carinho, para que o homossexual não se sentisse mais excluído, para que ele não precisasse esconder seus sentimentos. Mas eu vos pergunto: é realmente por isso que estamos lutando? É essa a liberdade que queremos? São esses os direitos pelos quais fazemos protestos na Parada LGBT?

Parece que estamos aceitando as exclusões naturalmente. A sociedade contorna a situação para “se livrar de nós” e estamos caindo feito patos. Não acredito que desejamos nos excluir numa praça, ou num restaurante, ou numa balada, enquanto as pessoas andam tranquilamente onde querem, fazendo o que querem, sem repressão. Não acredito que tenhamos que marcar reuniõezinhas fixas, somente para estarmos em maior número, caso apareça algum tipo de ameaça.

Queridos, acredito que o nosso poder persuasivo seja quase zero, com quase o mundo todo ainda acreditando que “não é normal ser homossexual”. Também sei que não é nada fácil agüentar os olhares desagradáveis em certos locais públicos, onde você adoraria demonstrar seu carinho pelo (a) seu (sua) parceiro (a), como aquele casal heterossexual ao seu lado. Sei que há medo de sofrer uma agressão física de homofóbicos de plantão. Mas infelizmente, nada conseguiremos nos fechando e nos isolando da civilização. Pois enquanto não houver maior demonstração homoafetiva, as pessoas demorarão muito mais a se acostumarem com o que pra elas, “não é normal”.

Muitos gays até se ofendem com essas atitudes, adquirindo hábitos popularmente chamados de “heterofóbicos”. Mas, deixemos isso pra um próximo texto.

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