Existe vida após a transformação

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thaisThaís, 27 anos, veio de Manaus para São Paulo com o objetivo de concluir os estudos em Serviço Social… Essa poderia ser uma história comum de mais uma personagem do Norte do Brasil que vem à capital paulista em busca de melhores oportunidades. Mas, a história não é bem assim. A jovem Thaís, na verdade, é Emerson Diniz, que hoje trabalha no Centro de Referência da Diversidade, uma ONG com atuação na cidade de São Paulo.

A opção por se tornar “mulher” veio já na infância. Mas, a transformação visual aconteceu apenas aos 18 anos, mesma época em que a família foi informada sobre o fato. “Minha história é muito diferente das minhas amigas. Preferi estudar antes de revelar que seria travesti. Não gosto nem de me comparar, porque sou exceção”, diz Thaís. “Tive base familiar e acesso aos meus direitos.”

Sua consciência foi recompensada. Thaís é considerada a primeira travesti formada assistente social no Brasil. “Muita gente acha que todos os travestis são profissionais do sexo, que se transformam só para sobreviver. Mas, muitas, como eu, não querem isso”, define.

Uma das primeiras clientes do ambulatório exclusivo a travestis e transexuais, no bairro Vila Mariana, ela conta que esse foi o único lugar público que teve coragem de se consultar. “Antes, só ia em médico particular. É horrível ter de pagar para ser respeitada. Esse ambulatório é um grande avanço.”

Uma militante – “Minha lembrança mais remota da infância é ao lado da máquina de costura da minha mãe, vestindo as roupas da minha irmã”, lembra a travesti Tânia, 38 anos, também paciente do ambulatório da Vila Mariana. Assim como Thaís, ela compõe a ´minoria da minoria´. Além da opção sexual, é exceção, também, pela dupla graduação universitária. “Vim do Rio Grande do Sul para estudar aqui. Sou formada em Engenharia, pela USP (Universidade de São Paulo), e em Artes, pela Unicamp (Universidade de Campinas)”, conta Tânia, que hoje é professora em um dos CEUs (Centro Educacional Unificado) de São Paulo. “Quando saí de casa, meu pai me disse: você é educada, mas o mundo não entende isso.”

Sua definição pela incessante busca das travestis por uma imagem mais feminina, que muitas vezes traz prejuízos ao próprio corpo, é simples. “Não é uma compulsão. Ficar mais feminina é uma forma de se esconder no anonimato”, afirma. O fato de não se prostituir já causou problemas a Tânia, que apanhou três vezes de outras travestis. Apesar dos incidentes, ela se define como “uma militante” da causa dos travestis. “Tenho que aproveitar meu know-how para conscientizar. Ser travesti é um processo doloroso e intermitente, de rejeição permanente.”

via Jornal de Jundiaí

Serviço:

Ambulatório para Travestis e Transexuais

Segunda a sexta, das 14h às 20h.
Endereço: Núcleo de DST/Aids do CRT DST/aids
R. Santa Cruz, nº 81, na Vila Mariana, São Paulo

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