Desde fevereiro, o professor universitário Alessandro Faria Araújo, 40 anos, homossexual, sofre na pele o preconceito. Começou quando foi espancado em São Paulo, próximo à avenida da Consolação, por um grupo de punks. Depois, perdeu o emprego na Faculdade Anchieta, em São Bernardo, supostamente por ter assumido a homossexualidade em entrevistas que deu a jornais e emissoras de TV. Nesta quarta-feira (05/09), quando decidiu pedir apoio à Câmara Municipal, o último golpe: a bancada governista não quis aprovar um voto de repúdio à faculdade por ter discriminado Araújo.
O vereador Lenildo Magdalena (PSB) encabeçou o movimento para barrar o repúdio, proposto pelos quatro vereadores do PT. “Somos sim contra qualquer tipo de discriminação, mas não temos provas de que ele realmente foi demitido por conta de preconceito. Precisamos conversar com a direção da faculdade”, argumentou.
Para o professor, não restam dúvidas do motivo da demissão. “Quando fui espancado, eles me proibiram terminantemente de dizer que eu era funcionário de lá nas entrevistas que eu dei. Depois, tiraram todas as minhas aulas e me deixaram na geladeira. Um dia, me chamaram lá para definir a grade do semestre seguinte e, na verdade, era para anunciar minha demissão”, conta.
Sobre a postura da Câmara Municipal, Araújo só pôde lamentar. “É claro que é preconceito. De novo”, afirma. A bancada governista barrou ainda um pedido convocatório para que a direção da instituição fosse à Câmara explicar os motivos da demissão do professor.
O coordenador dos cursos de pós-graduação da Faculdade Anchieta, Valderlei Furtado Leite, nega a versão de Araújo. “A instituição jamais poderá ser acusada de ser homofóbica (por ter preconceito contra homossexuais), porque temos aqui representando esta instituição uma população extremamente diversificada. A vida pessoal de um professor não é critério para expulsão”, diz.
De acordo com o representante da Faculdade, os motivos do afastamento do profesor foram “administrativos e pedagógicos”. Hoje, Araújo tem cinco ações correndo na Justiça por conta desse episódio, duas contra a Faculdade Anchieta (um trabalhista e um de danos morais), dois contra os agressores (um criminal e um de danos morais, estéticos e materiais) e um contra o Estado (por danos morais), por falha de atendimento.
reportagem de Diego Sartorato jornal ABCD Maior

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