Discriminação é crime e está previsto na Constituição Federal. Porém, a Faculdade Anchieta tapou os olhos para a lei e demitiu, sob motivos infundáveis, o professor Alessandro Faria Araújo, de 40 anos.
Docente dos cursos de graduação e pós-graduação, Alessandro, que se declara homossexual, esteve envolvido em um caso que repercutiu em toda imprensa. No dia 10 de fevereiro deste ano, o professor e outros amigos estavam nas proximidades da avenida Paulista, quando o grupo homofóbico “Devastação Punk” o cercou e o agrediu brutalmente.
Com o ocorrido, Alessandro ficou afastado das salas de aula para recuperação e, nesse período, foi convidado por diversos veículos de comunicação para dar entrevistas, mas foi proibido pela Faculdade Anchieta de citar o nome da instituição onde trabalhava.
Durante o restabelecimento, Alessandro não teve nenhum tipo de assistência por parte da faculdade e, ao retornar ao trabalho, conforme informado para a Faculdade, não pôde ministrar as aulas e, ainda, teve negado o pedido de escolta policial. “Solicitei ajuda para a Faculdade Anchieta, no sentido de conseguir uma viatura policial para fazer uma proteção no caminho entre minha casa e o trabalho, já que outros grupos homofóbicos me ligavam e ameaçavam de morte”, diz o professor em entrevista ao SINPRO ABC. “Faço o percurso com ônibus e metrô, mas a instituição não quis me ajudar e recusou o pedido”, relata.
Entre outros descasos, a faculdade não informava ao professor sobre seu retorno para reassunir suas aulas, quando todos os relatórios de acompanhamento médico e judiciais eram enviados, por ele, para a Instituição. “As notícias que tinha chegavam a mim por alunos”, narra. Quando voltou à Faculdade, foi comunicado sobre a necessidade de realizar um exame de avaliação, marcado “em cima da hora”. “Na data, não pude me locomover para fazer o exame, por ordem da Polícia Militar, e eles não remarcaram o tal exame”, relembra. “Certo dia, cheguei a entrar em uma sala, mas, como o exame não foi remarcado, fui retirado pela coordenadora do curso de Pedagogia”, lembra.
Já no fim do semestre, Alessandro foi chamado pela direção da faculdade e demitido. “Alegaram falta de salas e alunos, mas é mentira”, denuncia. “A faculdade está em fase de expansão e a justificativa é falsa”, completa. “O excesso de professor, que também foi alegado, é mentira, porque sou o único habilitado a dar aula em algumas matérias”, desabafa. “Hoje em dia, a carga de alguns cursos foi reduzida por falta de professor”, afirma Alessandro. “Para quem dava 20 aulas, receber a justificativa de ‘falta de aula e aluno’ me faz acreditar que foi um ato puramente discriminatório”. Ter um homossexual assumido no quadro de funcionários foi, para Alessandro, o principal motivo para a demissão.
Fato não foi o primeiro
Há alguns anos, segundo a denúncia de Alessandro, uma professora negra foi demitida sem justa causa. “Ela era do candomblé e estava em um período em que, segundo a religião, deveria usar roupas brancas. Ao ser questionada sobre o motivo do traje, a docente se recusou a responder e foi demitida”, conta. “Outro professor negro também foi desligado sem motivos. Todas as demissões foram discriminatórias”, denuncia.
Com os alunos o cenário não é diferente: “Alunos não podem renegociar dívidas, porque, para a faculdade, não interessa ter alunos com débitos”.
Manifestação
O SINPRO ABC é contrário a qualquer tipo de discriminação e está em defesa do professor e cidadão Alessandro Faria Araújo. Em forma de solidariedade ao docente e repúdio ao descaso da Faculdade Anchieta, o Sindicato dos Professores do ABC estará presente na manifestação, que será realizada no dia 31 de agosto, a partir das 18h, em frente ao prédio da faculdade (Rua Atlântica, 735, Jd. do Mar, São Bernardo do Campo).
O ato recebe apoio de outros sindicatos da região, como dos Bancários, Químicos, Metalúrgicos, além de parlamentares, movimentos sociais e em defesa da igualdade.
via Jornal O Professor, n° 307

Add a comment